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Anuncio Transat 2009
Site oficial da regata
1º Classificado - 1ª Etapa
6d 2h 31m 3s
2º Classificado - 2ª Etapa
20d 17h 08m 15s


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do ROFF TMN

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"...o primeiro Português na história a estar qualificado para a Transat 6,50."

"O reconhecimento do Estado Português da visibilidade que Francisco Lobato deu à Transat 6.50"

Estágio em França no FIGARO
Resumo das últimas semanas
16-12-2009
Na semana antecedente à abertura do salão náutico de Paris, primeira de Dezembro, fiz o transporte de Itália para o Sul de França do Fígaro 2 escolhido por mim para as próximas épocas. Navegámos a dois e vim com o antigo proprietário Pietro D´Ali. Depois de algum tempo à espera por uma boa janela meteorológica saímos de Génova rumo ao porto de La Grande Motte.
Foram 250 milhas em que comecei a descobrir este barco que para mim é novidade. Foi muito proveitoso vir a navegar com o Pietro que além de ter feito algumas épocas nesta classe, tem um currículo muito extenso e com grande qualidade como já ter feito a Volvo Ocean Race, 7 anos na equipa da Prada na Ameica´s Cup, Jogos Olímpicos, etc.
Sem qualquer problema ele veio o caminho todo a dar-me dicas sobre o barco e tudo o que ele tinha aprendido nestes últimos anos sobre o Figaro 2! Difícil foi absorver toda a informação...

Como fizemos este transporte entre duas frentes apanhámos ventos maioritariamente fracos de todas as direcções. Ainda assim o frio não perdoava... Só nas últimas 50 milhas, com o chegar da segunda frente, começámos a apanhar ventos de S/SE entre os 20 e 25 nós, o que proporcionou alguns “surfs” e chegou para sentir o barco a planar. No entanto, comparando com um “Mini”, O Figaro 2 parece um autêntico “camião”, mas que acaba por ser muito mais confortável.
Fica também na memória a beleza de toda esta costa do Sul de Itália, Mónaco e França; sempre com as montanhas altas por trás cheias de neve a comporem o cenário.

Viemos até Port Camargue por ser o centro de estágio do Mediterrâneo para os Figaros 2 e aqui, apesar de termos tido que pagar, acolheram-nos bem.

Chegado a França, antes de regressar a Portugal por um dia para participar dia 4 de Dezembro no jantar anual da Associação Naval de Lisboa, subimos o barco e colocámo-lo em seco. O plano seria levá-lo posteriormente de camião até ao estaleiro naval Delmar Conde para se fazerem os trabalhos de preparação para a próxima época.
Dia 5 de Dezembro fui até Paris receber o prémio de primeiro lugar na Transat 6,50 2009. Foi interessante e uma sensação boa, no meio de muita gente a assistir à distribuição de prémios, encontrar muitos portugueses!

Aproveitei também para falar com outros velejadores participantes... comentámos uns com os outros como estavam a ir a preparação dos próximos projectos, patrocinadores, escolha do barco... etc
No domingo passei também o dia inteiro na feira a fazer as inscrições nas regatas de Fígaro do ano de 2010, contactar vários fornecedores, ver alguns softwares novos de navegação que irei utilizar no ano que vem... foi um dia comprido e produtivo.

Na semana passada, estive em Portugal a tentar avançar e tratar da questão dos patrocínios para a próxima época.
Depois de contactar o centro de estágio de La Grande Motte, surgiu a hipótese de vir fazer um estágio de 7 dias a começar esta segunda feira 14 de Dezembro.
Tinha algum material para trazer e os timings eram apertados: a viagem de avião não era viável.

A solução foi a Budget Portugal Castanheira me disponibilizar um carro para poder vir rápido até França. Domingo conduzi cerca de 15 horas e cheguei ao início da noite a La Grande Motte.

Segunda-feira, primeiro dia de estágio as temperaturas rondaram os zero graus célsius.
Foi a primeira vez que fiz um treino de Fígaro e me comparei contra outros barcos - os resultados foram mesmo muito satisfatórios.
Nesta semana, de uma forma geral, estaremos a navegar em dupla. Para mim foi uma óptima novidade porque assim consigo aprender mais rápido todos os segredos e automatismos do Figaro 2. No primeiro dia esteve comigo a bordo o Robert Nagy. Ele fez várias épocas de Figaro, mas sem conseguir obter nenhum bom resultado. No entanto foi a dois jogos Olímpicos em prancha à vela e 4 vezes campeão do mundo!
Durante o treino, fomos fazendo boas largadas e dos seis barcos presentes andámos sempre entre os tês primeiros a rondar algumas bóias em primeiro... em primeiro à frente de outros barcos que tinham a bordo outros velejadores muito experientes como o Jonny Malbon que fez a última Vendée Globe no Open 60 Artemis e agora está a treinar na classe Fígaro, o Nicolas Berenger que é actual nº2 na classe Fígaro ou o Bertrand Pacé veterano e skipper da America´s Cup.

No segundo dia começámos com uma sessão de ginásio muito cedo. Em relação ao resto do grupo estava muito bem! Seguimos o dia com várias horas na água e uma parte do exercício foi navegar em solitário. As primeiras viragens de bordo, cambadelas, rondagens não saíram mal de todo... antes pelo contrário! Estou a aprender muito nestes dias...
Faz uma diferença enorme em termos de motivação fazer tudo isto em grupo: ir ao ginásio, fazer briefings e debriefings e claro os treinos no mar... chegar a terra e ter o massagista disponível ou o preparador mental. É bem diferente daquilo que tenho feito nos últimos anos em que salvo algumas excepções tenho que sempre que treinar sozinho e me auto motivar!

Estágio em França no FIGARO – Segunda parte
29-12-2009
Depois de regressar a Portugal e passar este Natal com a família vou tentar contar como foram os restantes dias de estágio.

Agora que estou com mais tempo aproveito para descrever onde e como estávamos instalados e como seria mais do que possível termos uma organização destas em Portugal.
Este centro situa-se em La Grande Motte, no sul de França. É uma estação balnear que no verão fica cheia de gente, mas que no inverno fica praticamente deserta.
Está cheio de apartamentos e hotéis que estão naturalmente todos vazios nesta altura do ano. No verão, quando as temperaturas estão altas e a cidade se enche de gente, é necessário um reforço policial. Para isto a câmara local tem umas instalações meio pré-fabricadas inseridas numas construções de antigas cavalariças para alojar os polícias. Obviamente nesta altura do ano essas instalações estão vazias.
Foi aí que ficámos a dormir porque existem alguns acordos, sem custos adicionais, entre a câmara e o clube local. No verão, quando os polícias vêm, os velejadores estão a competir no circuito de regatas de modo que não há problema de disponibilidade de quartos.
O clube tem umas instalações normais, com uma sala grande onde fazíamos, todas as manhãs, os briefings e, à tarde, os de-briefings do dia.
As sessões de ginásio eram feitas num ginásio normal, sem grandes máquinas de última geração, dum clube de golfe pertencente à câmara local que disponibiliza as instalações.
Acabando no mais importante: os barcos! Estes estão na marina/porto de La Grande Motte mesmo em frente ao clube. Existe uma grande disponibilidade e facilidade para saídas e entradas na água com os travel-lifts da área técnica de manutenção.

No terceiro dia de estágio, quarta-feira, a previsão era de vento muito fraco. Depois do ginásio, fomos para o briefing, bebemos um chá quente feito por nós no clube. Soube as orientações dos treinadores, ficou decidido que iríamos fazer uma espécie de regata costeira na baía des “Aigues Mortes”.
Neste dia aproveitei para experimentar e testar umas velas novas da Quantum. Temos estado a trabalhar nos desenhos para a próxima época e foram feitos alguns protótipos.
Durante este dia o vento não esteve mais forte que os 6 nós e muitas vezes estivemos completamente encalmados. O treino não começou da melhor forma porque depois da largada ficámos numa zona de calmaria e o resto dos barcos, com uma brisa muito leve, foram-se afastando. Mais tarde juntámo-nos novamente à frota e voltámos à luta. Foi um dia para treinar a paciência. Nada no vento parecia ter lógica…mas foi interessante e aprendi mais uns truques que o Fígaro 2 gosta quando está pouco vento! Apesar de ser o dia que navegámos com menos vento foi dos que apanhámos mais frio porque estavam entre -7º e -4º célsius.

Quinta-feira foi um dia diferente. A seguir ao ginásio deixámos os Figaros no porto e saímos todos em apenas dois “Surprise”. (Foram os barcos que deram fama ao estaleiro Archambault!) Durante todo o dia estivemos a treinar match-racing com a particularidade que íamos rodando sempre as posições. Existia mesmo a posição no barco a motor em que íamos arbitrando o match com as indicações de um jurí e treinador internacional que esteve sempre presente durante todo o estágio. Quando o sol se começou a pôr, voltámos para dentro e fomos para a sala de de-breifing analisar os diferentes casos que tinham sucedido.

Sexta-feira, as previsões de vento eram mais fortes. De manhã quando estávamos no ginásio caiu alguma neve.
Neste dia levei outro tripulante, a Francesa Isabelle Joscke que em 2007 ganhou a primeira etapa da Mini Transat e desde aí que tem navegado na classe Fígaro 2. Como é um barco bastante mais físico, ela tem uma dificuldade acrescida a navegar nesta classe.
No programa do dia estava uma regata na baía composta por algumas bananas e mareações com ângulos diversos. Neste dia a regata correu bem e comecei a sentir-me mais à vontade com todos os sistemas e cabos de bordo. A meio do percurso, quando entraram 25 a 30 nós em que foi necessária uma mudança rápida e estratégica de genoa por estai e spi grande por pequeno perdemos uma grande distância para o primeiro e ficámos lado a lado com o terceiro… em cada regata que ia fazendo sentia que me faltava sempre um bocadinho para poder chegar em primeiro…o que é perfeitamente normal numa primeira semana de descoberta deste monótipo de regata.

Sábado e Domingo realizou-se o Troféu de Natal de La Grande Motte. Mesmo com temperaturas negativas éramos quase 40 barcos de todo o tipo na linha de largada!
Este troféu era disputado em double e a minha tripulante foi novamente a Isabelle.
O vento estava forte e muito frio. De manhã andava nos 20 nós, mas a previsão seria subir para os 30.
Começámos a regata muito bem, rondámos a bóia da bolina em segundo lugar com um barco de 40 pés à frente. Na poupa içámos rápido o spi e passámos para primeiro lugar com os outros barcos muito perto, mas atrás!
No início da segunda popa continuávamos em primeiro, mas fizemos um erro a içar o spi e enrolou-se à volta do estai. Apesar de estarem 30 nós não demorámos muito a desfazer o nó, mas foi o suficiente para sermos passados por mais dois Figaros: o Bertrand Pacé, skipper da America´s Cup, e o Mathieu Girolet, no circuito Fígaro desde há dois anos.

Domingo, último dia de estágio e de regata, chegámos aos barcos ás nove da manhã com um frio de rachar. O convés estava cheio de gelo. Fizemos a primeira regata com vento muito fraco. Rondámos a primeira bóia em primeiro, durante a calmaria perdemos para terceiro e mesmo no fim conseguimos passar o Bertrand Pacé.
Na segunda e última regata do dia fizemos um percurso costeiro. Ainda havia a hipótese de ganhar se ficássemos à frente do Bertrand. Fizemos uma boa largada, mas passámos a bóia de desmarque em terceiro lugar e ele em primeiro. Seguiram-se várias pernas do percurso tipo “carrossel” praticamente sempre a direito e mantivemos o lugar até ao fim.

O balanço final foi um segundo lugar nos figaros e um terceiro lugar contando com os barcos das outras classes.
Foi uma das semanas da minha vida em que aprendi mais em tão pouco tempo. A oportunidade de navegar em double com diferentes pessoas e com experiências confirmadas no Fígaro 2 ajudou-me, sem dúvida, a aprender muito e rápido.
Muito importante foi também perceber aquilo que mais tenho de trabalhar para poder evoluir rápido na navegação em solitário nesta classe.

No dia seguinte de madrugada, antes de conduzir os 1.500 quilómetros até Portugal no carro cedido pela Budget Portugal, fui a uma loja de bricolage comprar uma fechadura nova para a porta do barco, porque nas semanas anteriores tinham entrado e infelizmente roubado algumas coisas!

O ROFF TMN, Pogo 2, chegou a França e foi recentemente vendido a dois franceses. Em breve irei fazer a entrega do barco com todo o material.

Em relação ao Fígaro 2 estou à espera de disponibilidade financeira para o poder trazer até Portugal e começar o estaleiro de preparação.

Aproveito para desejar um excelente 2010!

Francisco
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